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Injeção de ânimo no rock

Nada é pior para uma banda que está buscando seu espaço do que ouvir uma série de comparações – às vezes descabidas – com grupos consagrados. No caso dos Fratellis, as influências remetem a décadas distintas e bem separadas: o new wave dos anos 1980 e o rock dos anos 2000, percorrendo Smiths, Meat Puppets, Strokes, Libertines e, ufa!, Arctic Monkeys. Felizmente, o grupo de Glasgow, Escócia, faz do limão uma limonada e oferece em seu disco de estréia, Costello Music (2006), uma celebração ao rock sem cair no saudosismo barato. O resultado final é muito parecido com o que os Monkeys e os Libs fizeram nos últimos anos, mas a irreverência musical dos “irmãos” garante a festa.
Ao ouvir a introdução de Henrietta, a faixa-título, qualquer um pode pensar que se trata de mais uma banda inglesa querendo reviver Gang of Four. O refrão acelerado, no entanto, encerra qualquer pensamento precipitado: enfim, uma banda de rock! Flathead, um dos hits, começa com violão e explode já na terceira frase. O refrão de duas sílabas – “ba” e “da” – lembra algum sucesso perdido dos anos 80. Country Boys and City Girls fala de maneira lisonjeira, como o título sugere, sobre garotos do interior e garotas da cidade. “Você sabe que nós meninos do campo estamos apenas atrás de sexo e barulho (...) Eu amo o jeito que vocês, meninas da cidade, se vestem, mesmo que suas cabeças estejam uma bagunça”, provoca o vocalista Jon “Fratelli” Lawler.
A acústica Whistle For The Choir é a silly love song do disco, com letra romântica e arranjo pop. Nas faixas seguintes, Chelsea Dragger e For The Girl, tudo volta ao normal, com melodias que dificilmente sairão da sua cabeça. O disco mantém a média até chegar ao seu auge, na décima faixa. Com riff pegajoso e cadência diferenciada, Everybody Knows You Cried Last Night é a prova de que Jon (guitarra e vocal), Barry (baixo) e Gordon (bateria) vieram para ficar. Algo como se Strokes e Arctic Monkeys fizessem parte da onda new wave de 1980. Talvez a música que melhor defina o estilo de rock dos Fratellis.
Se depender dos Fratellis, o rock jamais vai perder o seu princípio básico: a diversão.
Escrito por Danton Boattini Jr às 01h13
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