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Filarmônica do Bom Fim

Para saborear em toda a sua intensidade a obra de Moacyr Scliar, escritor gaúcho membro da ABL, é necessário ter nascido em Porto Alegre. É que o grande número de referências geográficas torna mais difícil o entendimento para quem não conhece a Capital dos gaúchos. O mesmo vale para a banda que fundou a cena dos anos 1990 do rock gaúcho e, por conseqüência, influenciou o que houve de melhor na música nacional da década passada: a Graforréia Xilarmônica. E nem é uma questão de “porto-alegrês”. A música “Enchente de 41”, por exemplo. O que os versos “eu vejo com tristeza o final, a solução/ um muro na Mauá para evitar outra invasão/ agora o Guaíba está distante/ pra ver esta beleza tem que subir no morro Santa Teresa” dizem para alguém que somente ouviu falar do antigo porto dos açorianos?
A banda mais cultuada do Rio Grande do Sul não precisou mais do que dois discos para atrair uma legião de fãs, Coisa de Louco II e Chapinhas de Ouro. Na semana em que Porto Alegre comemorou 235 anos, nada mais prudente do que resenhar o último lançamento do que Wander Wildner chamou de “filarmônica do Bom Fim”. Tanto a obra de Scliar como a música da Graforréia Xilarmônica tem como plano de fundo o bairro em que judeus, punks e travestis compõem um cenário que é a face boêmia de Porto Alegre. A referência explícita vem no maior clássico da banda, Amigo Punk: “atravessa a Oswaldo Aranha e entra no parque Farroupilha”. Em outros casos, vem implícita, como em Dênis, musicando trocadilhos bastante populares entre os jovens de Porto Alegre.
Lançado pelo selo brasiliense Senhor F, Ao Vivo foi gravado seis anos após a banda anunciar oficialmente a sua despedida. Nesse meio tempo, o mentor Frank Jorge lançou um ótimo disco solo (Carteira Nacional de Apaixonado), que apesar de ecoar GX na regravação de “Nunca Diga” explorou outros ritmos como a música cubana. Muito além do que a neo-jovem guarda que a banda fundou no final dos anos 1980 e soube tocar como ninguém, dando origem a Bidê ou Balde, Videohits e tantos outros que ironicamente alcançaram maior notoriedade em nível nacional, relegando os originais ao status de cult. Se você ainda não conhece Porto Alegre, nunca é tarde para ouvir a Graforréia.
Perdoem-me pela desatualização do blog, mas eu estava sem pc em casa. Isso não vai mais acontecer
Escrito por Danton Boattini Jr às 17h15
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