Leitura Musical
   Pérola noventista

 

 

Os anos 90 foram prósperos para a música de qualidade – pelo menos para quem não se submeteu às arbitrariedades dos que comandam o mainstream (o “sistema”, para os leigos) –, embora muita gente discorde. Nem é preciso pensar muito para citar um punhado de bandas e artistas legais que surgiram na década passada: Pavement, Flaming Lips, Weezer, Beck Hansen, Blur, Teenage Fanclub, Wilco, Built to Spill e por aí vai. Isso sem citar os manjados Nirvana, Radiohead e Smashing Pumpkins. Foi em meio a essa salada de fruta sonora, que misturava o revival dos anos 60 com o rock alternativo (indie), que surgiu em Oxford, Inglaterra, uma verdadeira fábrica de refrões, infelizmente não tão ouvida quanto merecia: o Ride.

 

Entre 1990 e 1994, período em que o Ride gravou seus três primeiros discos, todas as atenções estavam voltadas para Seattle (EUA), onde Nirvana e Pearl Jam comandavam a onda grunge. Em seguida, os holofotes se voltariam para a banda dos irmãos Gallagher, na Inglaterra, deixando o Ride com o eterno status de underground. Isso não impediu que o terceiro álbum da banda, Carnival of Light, produzido por John Leckie (Stone Roses, XTC) e Nigel Goldrich (Radiohead), alcançasse o 5º lugar na parada britânica no ano de seu lançamento, em 1994. O quarteto ainda lançaria um último disco, Tarantula, antes de se dissolver, em 1996.

 

A introdução oriental de “Moonlight Medicine”, a faixa de abertura, não engana. O Ride foi buscar inspiração no rock psicodélico dos anos 60 para gravar um dos melhores discos de rock da década passada. O próprio título do álbum remete aos Beatles. Carnival of Light é o nome de uma canção composta por Paul McCartney para o clássico Sgt. Pepper’s, mas que acabou não sendo incluída no disco e hoje não é encontrada sequer em bootlegs. Felizmente, o Ride segue a cartilha dos anos 60 à sua maneira, sem ser retrô ou enjoativo, mesclando elementos psicodélicos com o rock de então e um vocal suave que sempre foi a maior característica da banda.

 

 

É o caso da ensolarada “Crown of Creation”, talvez o mais grudento de todos os refrões noventistas. O vocalista Mark Gardener manda um contraponto aos Beatles com o verso “don’t you hide your love away”, parafraseando um dos maiores sucessos dos ídolos. Ingênua, bobinha, a canção é a síntese do que o Ride produziu de melhor. Assim como o hit “I Don’t Know Where It Comes From”, que fecha o álbum com chave de ouro: uma canção redonda com direito a coral de crianças no início. Simplesmente irresistível!

 

A inspiração segue com o órgão maroto que abre “From Time to Time”. Na melosa “Endless Road”, é o sax quem dá as caras. Há ainda um momento Jesus & Mary Chain, com a versão de “How Does It Feel to Feel”, do Creation. Tudo assoviável do início ao fim. O disco foi relançado em CD no exterior há seis anos, ganhando três faixas-bônus. Carnival of Light não está em catálogo no Brasil. Apesar da vida curta, o estilo shoegazer do Ride influenciou toda uma geração de bandas indie. No Brasil, quem melhor soube usar essa influência foram os paulistas do Astromato.

 

Andy Bell, ex-guitarrista do Ride, juntou-se ao Oasis em 1999. Em um bate-papo com fãs da sua ex-banda pela internet, ele explicou porque Carnival of Light não despertou tanta atenção na época do lançamento quanto Definitely Maybe, álbum de estréia dos irmãos Gallagher: “Eu acho que o Oasis fez um álbum melhor. Também, o som deles explodiu tudo, especialmente um álbum sutil como o nosso”. A modéstia, como sabemos, não é compartilhada com os líderes de sua atual banda.



Escrito por Danton Boattini Jr às 00h16
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   Lo-fi total: a casca da banana

 

Lance milionário de raridade do Velvet Underground é falso 

 

Você pode nunca ter ouvido falar de Warren Hill, mas vai reconhecer que ele é um cara de sorte. Pelo equivalente a 75 centavos, o sujeito comprou, em Manhattan, uma versão preliminar em acetato do que viria a ser o álbum mais cultuado da história do rock, Velvet Underground & Nico, de 1967 (o famoso “disco da banana”).

 

No ano passado, Hill, um colecionador de Montreal (Canadá), anunciou que teria recebido uma proposta de 155 mil dólares pelo disco. Logo depois, ele desmentiu a si próprio, dizendo que ainda esperava os lances de compradores. Acredita-se que exista apenas mais uma cópia da raridade no mundo. Gravado em abril de 1966, o disco mostra as versões originais de nove canções que viriam a compor o álbum, incluindo a clássica Heroin, maior tratado sobre drogas já registrado em canção.

 

Quem ficou curioso pode baixar o disco pelo blog http://luizyoung.blogspot.com



Escrito por Danton Boattini Jr às 12h48
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