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Muito além do que as pessoas dizem

O genial Wayne Coyne, líder do Flaming Lips, prometeu que arrancaria o seu braço se surgisse na Inglaterra mais uma banda querendo reviver o pós-punk. Motivos não faltam para esse manifesto solitário, já que o novo rock inglês reluta em sair da mesmice. Mas como para toda regra existe uma exceção, uma destas bandas conseguiu fazer um disco brilhante seguindo à sua maneira a cartilha de Franz Ferdinand e cia: punk, indecente e juvenil o suficiente para ser a cara da nossa década.
Mesmo que sejam enquadrados na preguiçosa cena atual do rock, os Arctic Monkeys estão anos-luz à frente de seus contemporâneos. Ainda assim, sofrem com as comparações, como se todos fossem farinha do mesmo saco. Um exemplo é o Franz Ferdinand, que também surgiu na gravadora Domino Records, onde o AM lançou seu primeiro single, I Bet You Look Good on the Dancefloor. O som de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, disco de estréia da banda, remete muito mais aos Strokes do que aos escoceses, principalmente pelo vocal rasgado de Alex Turner (o que pode ser positivo ou negativo, dependendo do leitor).

Os Arctics foram buscar inspiração na prostituição para criar uma das mais belas canções de 2006, When the sun goes down. O tema não chega a ser novidade na música pop (a Roxanne, do The Police, chega a ser citada). Mas a juventude de Turner fez desta uma canção eterna. A sônica I Bet You Look Good on the Dancefloor, com letra bonitinha e referências a George Orwell e Romeu e Julieta, é outra atração do disco. Perhaps Vampires Is a Bit Strong But... confirma a vocação da banda para o rock and roll – e para músicas com títulos enormes. Acrescentando mais um punhado de hits, temos o que a NME classificou como o melhor disco do ano passado. Enfim, a mais perfeita ponte entre o punk dos anos 1970 com a modernidade.
O Arctic Monkeys é uma banda tão legal que chega a esnobar o sucesso. Convidados para o Brit Awards, premiação musical inglesa, eles não pretendem comparecer ao evento (pela segunda vez). De acordo com os músicos, o grupo anda ocupado demais com a gravação do clipe de Brainstorm, single que será lançado em abril. Para o baterista Matt Helders, não se trata de pose ou desinteresse. “Não somos escrotos, somos rapazes ocupados prontos para fazer uma turnê”, declarou.
Escrito por Danton Boattini Jr às 02h23
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