Leitura Musical
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Escrito por Danton Boattini Jr às 00h39
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   Injeção de ânimo no rock

 

 

Nada é pior para uma banda que está buscando seu espaço do que ouvir uma série de comparações – às vezes descabidas – com grupos consagrados. No caso dos Fratellis, as influências remetem a décadas distintas e bem separadas: o new wave dos anos 1980 e o rock dos anos 2000, percorrendo Smiths, Meat Puppets, Strokes, Libertines e, ufa!, Arctic Monkeys. Felizmente, o grupo de Glasgow, Escócia, faz do limão uma limonada e oferece em seu disco de estréia, Costello Music (2006), uma celebração ao rock sem cair no saudosismo barato. O resultado final é muito parecido com o que os Monkeys e os Libs fizeram nos últimos anos, mas a irreverência musical dos “irmãos” garante a festa.

 

Ao ouvir a introdução de Henrietta, a faixa-título, qualquer um pode pensar que se trata de mais uma banda inglesa querendo reviver Gang of Four. O refrão acelerado, no entanto, encerra qualquer pensamento precipitado: enfim, uma banda de rock! Flathead, um dos hits, começa com violão e explode já na terceira frase. O refrão de duas sílabas – “ba” e “da” – lembra algum sucesso perdido dos anos 80. Country Boys and City Girls fala de maneira lisonjeira, como o título sugere, sobre garotos do interior e garotas da cidade. “Você sabe que nós meninos do campo estamos apenas atrás de sexo e barulho (...) Eu amo o jeito que vocês, meninas da cidade, se vestem, mesmo que suas cabeças estejam uma bagunça”, provoca o vocalista Jon “Fratelli” Lawler.

 

 

 

A acústica Whistle For The Choir é a silly love song do disco, com letra romântica e arranjo pop. Nas faixas seguintes, Chelsea Dragger e For The Girl, tudo volta ao normal, com melodias que dificilmente sairão da sua cabeça. O disco mantém a média até chegar ao seu auge, na décima faixa. Com riff pegajoso e cadência diferenciada, Everybody Knows You Cried Last Night é a prova de que Jon (guitarra e vocal), Barry (baixo) e Gordon (bateria) vieram para ficar. Algo como se Strokes e Arctic Monkeys fizessem parte da onda new wave de 1980. Talvez a música que melhor defina o estilo de rock dos Fratellis.

 

Se depender dos Fratellis, o rock jamais vai perder o seu princípio básico: a diversão.



Escrito por Danton Boattini Jr às 01h13
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   Ingleses precoces

 

Ninguém ainda parece ter dúvidas de que o título da Fórmula 1 deste ano será de Lewis Hamilton (22), o garoto-prodígio da McLaren que conquistou o mundo logo em sua estréia na principal categoria do automobilismo. Assim como não dá pra negar que os Arctic Monkeys (entre 21 e 22 anos) chegaram ao topo da música pop nos anos 00 (essa era ainda um tanto indefinida...), ocupando o posto que foi do Nirvana nos anos 90 e dos Smiths nos 80. Em comum entre eles, muito mais do que o país de origem e a pouca idade.

 

Badalação, fama, o topo do mundo: nada disso abala os ingleses. Depois de escapar de punição no GP do Japão, Hamilton disse estar tranqüilo para a corrida na China, em que poderá sagrar-se campeão antecipadamente. Sua reação antes da prova era de quem estava diante de um compromisso formal. Agora veja a empolgação do guitarrista Jamie Cook sobre os shows que os Monkeys farão no Brasil, durante o Tim Festival: “é...estou animado”, disse à revista Época. “Eu só vou lá e toco, entende? (...) É só diversão”, completou.

 

Mas como acusar de frieza quem canta versos como “eles devem usar seus rebooks clássicos (...) mas essa não é a questão, a questão é que não existe mais romance por ali” – trecho de “A Certain Romance”, do primeiro álbum da banda, Whatever People Say I Am, That's What I'm Not? Ou então, como deixar de aplaudir o garoto negro e pobre que chegou ao topo do esporte mais elitista do mundo?

 

2007, definitivamente, é o ano dos ingleses.



Escrito por Danton Boattini Jr às 15h25
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   Para entender os mods

 

 

Quem assistiu as últimas apresentações do Ira! (plugado, após a turnê do Acústivo MTV) sacou que a banda voltou definitivamente para o formato vocal+guitarra+baixo+bateria que a consagrou na metade da década de 1980. Ou seja, sepultam-se – pelo menos por ora – as esquisitices eletrônicas (graças a Deus) e o banquinho e o violão do álbum acústico, de 2004. Esse é o tom de Invisível DJ, lançado pelos paulistas seis anos após o último álbum de inéditas. O resultado é uma porrada sonora: só não funciona para quem conheceu a banda através de Teorema.

 

Nasi (vocal) completou 45 primaveras em 2007, mesma idade de Edgard Scandurra (guitarra). André Jung (bateria) tem 46 anos e Gaspa (baixo) chegará aos 50 no ano que vem. Como Romário (41), os quarentões do mod continuam dando conta do recado – e não é por incompetência dos adversários, ao contrário do futebol. Momento propício, portanto, para analisar uma das discografias mais consistentes do rock nacional:

 

Mudança de comportamento, 1985 – À sua maneira, o Brasil começava a trilhar o seu caminho mod. Quem acha cool os músicos do Cachorro Grande pulando no palco e trajando terninhos vai descobrir que o buraco é mais embaixo. Na capa do primeiro LP, as intenções já estão bem claras. Jung veste uma roupinha de marinheiro e Scandurra aparece dando um pulo a la Pete Towshend, o que está longe de ser mera coincidência com o líder do The Who. Núcleo Base, Tolices e a faixa-título ainda são entoadas de cabo a rabo nos shows, mas o filé está mesmo no “lado B”. Ninguém Entende um Mod, o hino dessa “geração”, e Como os Ponteiros de um Relógio mostram que o Ira! não era mais uma daquelas detestáveis bandas de new wave que infestaram os anos 80.

 

 

Vivendo e não aprendendo, 1986 – Chega o segundo disco e começa aquele papo de maturidade. Nasi, Scandurra, Gaspa e Jung tiraram isso de letra e fizeram um discaço. Muito além do sucesso de Envelheço na Cidade, Dias de Luta e Flores em Você (tema de novela global), a obra contém a letra mais bonita escrita pelo Ira! (Quinze Anos). A clássica Vitrine Viva evoca o melhor do The Jam, uma das bandas preferidas do quarteto, e a dobradinha Gritos na Multidão e Pobre Paulista, gravadas ao vivo e já conhecidas do público, exacerba a revolta juvenil daqueles que foram chamados de menudos pelos punks.

 

Psicoacústica, 1988 – O ápice criativo da banda, uma espécie de Pet Sounds tupiniquim. Todo grande nome da música possui no currículo uma obra incompreendida (até Ronnie Von!), geralmente uma obra-prima. No caso de Ira!, o cineasta Rogério Sganzerla faz as vezes de O Mágico de Oz e o disco contém inserções do filme O Bandido da Luz Vermelha. Rubro Zorro, inspirada na história do lendário João Acácio, é até hoje uma das preferidas dos fãs. Como se não bastasse, com Advogado do Diabo, um rap de roda, o Ira! influenciou ninguém menos que Chico Science, mentor do mangue beat pernambucano.

 

Clandestino, 1989 – Entre a confusão rítmica de Melissa e a suavidade de Tarde Vazia (“a” balada do Ira!), temos mais um disco pouco (e mal) ouvido. Boneca de Cera, presente no Acústico, é um dos destaques.

 

 

Meninos da Rua Paulo, 1991 – Começa com o riff rápido da excelente Rua Paulo, uma celebração ao livro que dá nome ao álbum. O experimentalismo abre caminho na bela A Etiópia e Meus Problemas e nas não tão inspiradas Imagens de Você e Amor Impossível. Há uma versão de Você Ainda Pode Sonhar (Raulzito e os Panteras) e duas músicas que estão entre as melhores de toda a carreira: Um Dia Como Hoje e Prisão Nas Ruas. Foi relançado em CD na versão 2 em 1, junto com o clássico Psicoacústica.



Escrito por Danton Boattini Jr às 23h47
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Música Calma Para Pessoas Nervosas, 1993 – Álbum pouco ouvido e ignorado. Lançado por questões contratuais.

 

7, 1996 – Entre regravações desnecessárias do Animals (The House of Rising Sun) e de si próprio (Nasci em 62, ao vivo), estão as versões originais de duas pérolas, Girassol e Longe de Mim. Com o sétimo álbum da carreira o Ira! mandava um recado bem claro: seguia vivo, mesmo no ostracismo.

 

Você Não Sabe Quem Eu Sou, 1998 – O título é adequado, pois o oitavo álbum soa como um ET na discografia do Ira!. O sucesso não voltou, então o caminho foi a experimentação. Fascinados pela música eletrônica (em especial o “DJ” Scandurra), os músicos assumiram de vez o flerte que havia começado em 1991. Miss Lexotan, cover do gaúcho Júpiter Maçã, alcança sucesso relativo.

 

Isso É Amor, 1999 – Um mal necessário, pois graças a este disco o grupo “renasceu” e voltou a ser a banda mais rock and roll do Brasil. Seguindo a onda de álbuns cover que tomava conta do inspiradíssimo rock nacional (Barão Vermelho e Titãs haviam feito o mesmo), o Ira! escolheu um repertório meia-boca e voltou às FMs com Teorema (Legião Urbana). Destaque para a versão de Bebendo Vinho, de Wander Wildner (comprovando a sintonia com o rock gaúcho).

 

MTV ao Vivo, 2000 – Uma grande apresentação ao vivo. Todos os clássicos estão aqui, provando que com um repertório destes ninguém precisa fazer cover pra ganhar a vida. 

 

Entre Seus Rins, 2001 – Desde Psicoacústica, o Ira! não soava tão autêntico e criativo em estúdio. Inspirados com a volta ao mainstream, a banda “chupou” Serge Gainsbourg e se saiu com a anatômica faixa-título (“me deu o dedo, eu quis o braço e muito mais, agora estou a fim de ficar entre seus rins”). Outra pérola é a “onanista” Um Homem Só. O gaúcho regravado dessa vez é Frank Jorge, com a reflexiva Homem de Neanderthal.

 

Acústico MTV, 2004 (CD e DVD) – O ponto alto da banda. Só mesmo o Ira! para transformar um formato já saturado (o tal Acústico MTV) em uma ebulição fantástica que mescla os hits do passado com inéditas do quilate de Flerte Fatal, Poço de Sensibilidade e Por Amor. Imperdível!

 

 

Invisível DJ, 2007 – Eles já andaram mais inspirados, mas ainda assim fizeram um grande disco. Abre com a faixa-título, um rockão básico, coisa que o Ira! sabe bem como fazer. O clima segue em Sem Saber Pra Onde Ir, que bem poderia ser o novo hit deles.  Eu Vou Tentar, a melhor letra, é uma balada de piano e violão com bom gosto. Na segunda audição, você já estará cantando junto o belo e fácil refrão. Acrescidas de Não Basta o Perdão, as faixas citadas remetem aos melhores momentos da banda. Enfim, é o velho e bom Ira!.



Escrito por Danton Boattini Jr às 23h46
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   Rumo à galáxia Porto Alegre

 

 

Esqueça aquele pré-conceito bobo que faz você torcer contra o Corinthians e que o leva a desligar a TV automaticamente quando começa o Programa do Jô. A vida é muito curta para guardar rancores. Seja menos carrancudo. Deixe suas restrições contra bandas antigas que voltam aos palcos para outra hora. Você sabe que, mesmo com ingresso a 80 reais (o mais barato), teremos pouca ou nenhuma chance de assistir novamente a maior banda de rock and roll que este país já teve. No dia 26 eles estarão em Porto Alegre e eu já garanti o meu lugar.

 

Os Mutantes sempre estiveram à frente do seu tempo. Uns 40 anos. Por isso o som dos irmãos Baptista continua atual depois de tanto tempo. A prova é o registro do show no Barbican Theatre, em Londres, que virou CD e DVD – mais contemporâneo que nostálgico. A magia agora poderá ser vista por nós, os mortais, ao vivo. Rita Lee não virá, mas e daí? Pra que filosofar dilemas éticos se tudo é festa, tudo é rock and roll?

 

 

O motivo pelo qual muitos fãs dos Mutantes viraram a cara para a volta foi a recusa de Rita Lee em participar da festa – e sua conseqüente substituição pela meia-boca Zélia Duncan. A preocupação era geral, mas quem viu o DVD e ouviu o CD ficou satisfeito em ver que Zélia é mera figurante, deixando Serginho comandar a viagem. Como tinha de ser. Arnaldo já está mais pra lá do que pra cá, mas ainda emociona em Cantor de Mambo. Dinho Leme completa o que sobrou do time original na batera (o baixista Liminha também se recusou a voltar).

 

Em entrevista recente, publicada no Globo, Rita disse que observa o retorno com um olhar sarcástico de vitoriosa. "Até hoje não assisti nadica de nada de 'los frustrantes'. As pessoas que viram comentam que o repertório é só da época do meu tempo. Veja você que fui expulsa porque os mano pretendiam seguir um som progressivo, e eis que não apresentam nenhuma musiquinha pós-eu. Ponto pra mim", disse a cantora. Ora, se o retorno mágico de Arnaldo e Serginho parece frustrante, o que dizer da carreira-solo de Rita Lee? A psicodelia surrealista da maior banda de rock do Brasil está anos-luz à frente.



Escrito por Danton Boattini Jr às 21h26
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   Last FM

http://www.lastfm.com.br/user/Danton_K/



Escrito por Danton Boattini Jr às 21h13
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   Indie para adolescentes

Só quem passou por uma grande desilusão amorosa aos 15 anos entende o que representam os versos iniciais de Canção do Adolescente: ela se foi, eu não ligo, dias melhores não demoram a voltar...

 

Muito mais do que uma filial brasileira do Ride, o Astromato fez, durante sua breve existência, indie rock do bom no idioma de Fernando Pessoa – como ninguém jamais havia feito antes. A referência ao poeta português não é à toa, já que o grupo musicou dois de seus poemas, transformando um dos mais conhecidos – “Isto” – numa belíssima balada pós-punk (bem ao estilo dos ídolos do Jesus & Mary Chain, um dos pontos altos do disco).

 

Formada em Campinas, a banda lançou, em 2001, o CD Melodias de uma Estrela Falsa, pelo selo Midsummer Madness. São 17 faixas em que fica explícita a influência das guitar bands do final dos anos 1980 e começo da década de 1990. Tanto que todas as músicas foram gravadas com bateria eletrônica, e, embora não seja exatamente um capricho saudosista do trio (a banda até então não contava com um baterista), coloca uma cereja com sabor oitentista no bolo dos campinenses, deixando o Astromato com a cara dos britânicos Ride e Teenage Fanclub.

 

 

Mas se apenas cantar em português não é suficiente, o Astromato apresenta uma série de letras que retratam com precisão o desespero daquele garoto que não sabe jogar, tem medo de ir ao médico por não querer ficar curado e cuja auto-estima afundou após receber um não da garota mais bonita da escola. Exemplos desse indie meloso estão em Canção do Adolescente, Através da Chuva e No Macio, no Gostoso, músicas da primeira demo, gravada em 1999.

 

Depois de abrir para os escoceses do Mogwai (o contrário não seria mais justo?), em 2001, o Astromato encerrou as atividades no ano seguinte. Armando, Pedro e Fabrício seguem com outros projetos na música independente. Da antiga banda, sobrou a promessa de sucesso nacional e um álbum inspiradíssimo com um número incrível de hits em potencial. Uma pena que tenha sido pouco ouvido. Portanto, antes de você dizer que o rock nacional não produziu nada de bom na década atual, pense bem a que tipo de rock está se referindo.



Escrito por Danton Boattini Jr às 23h18
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   “Pós panki” de protesto

 

 

Surgida na década de 1990, numa oficina de aparelhos eletrônicos, a gatorra se transformou no que há de mais hype na música atual. O instrumento é uma mistura de bateria eletrônica e sintetizador em formato de guitarra, que já foi requisitado por bandas como Cansei de Ser Sexy e Franz Ferdinand. O responsável pela engenhoca é o técnico de som Antônio Carlos Corrêa de Moura, 55 anos, natural de Esteio (RS), que atende pelo nome de Tony da Gatorra.

 

Em 2005, Tony lançou o CD Só Protesto. Sua música, que ele define como “‘pós panki’ de protesto”, contém mensagens de apoio aos sem-terra e contra a violência. “Nós somos cúmplices”, canta em “Assassino”. "A droga que mais mata no Brasil é a fome, presidente", segue em "Droga Fatal". "O resto é opção", conclui. Em entrevista por e-mail, Tony conta que, muito mais que um instrumento exótico, a gatorra é uma ferramenta de manifestação das massas. Só ouvindo para crer!

 

Como surgiu a gatorra?

A gatorra começou em 1996. Ela começou com a vontade de dizer o que milhões de brasileiros gostariam de falar, que os políticos no Brasil não passam de mercenários, oportunistas e covardes.

 

Como você classifica ou seu estilo musical?

Meu estilo musical é “pós panki”.

 

Quando começou a fazer música?

As músicas começaram em 1998.

 

Tem feito muitos shows?

Estou indo em julho para a Escócia num festival e depois estarei em Londres. Em maio serão lançados CD e DVD.

 

 

Para ouvir o Tony e sua gatorra, acesse http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=16832



Escrito por Danton Boattini Jr às 11h41
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   Filarmônica do Bom Fim

 

 

Para saborear em toda a sua intensidade a obra de Moacyr Scliar, escritor gaúcho membro da ABL, é necessário ter nascido em Porto Alegre. É que o grande número de referências geográficas torna mais difícil o entendimento para quem não conhece a Capital dos gaúchos. O mesmo vale para a banda que fundou a cena dos anos 1990 do rock gaúcho e, por conseqüência, influenciou o que houve de melhor na música nacional da década passada: a Graforréia Xilarmônica. E nem é uma questão de “porto-alegrês”. A música “Enchente de 41”, por exemplo. O que os versos “eu vejo com tristeza o final, a solução/ um muro na Mauá para evitar outra invasão/ agora o Guaíba está distante/ pra ver esta beleza tem que subir no morro Santa Teresa” dizem para alguém que somente ouviu falar do antigo porto dos açorianos?

 

A banda mais cultuada do Rio Grande do Sul não precisou mais do que dois discos para atrair uma legião de fãs, Coisa de Louco II e Chapinhas de Ouro. Na semana em que Porto Alegre comemorou 235 anos, nada mais prudente do que resenhar o último lançamento do que Wander Wildner chamou de “filarmônica do Bom Fim”. Tanto a obra de Scliar como a música da Graforréia Xilarmônica tem como plano de fundo o bairro em que judeus, punks e travestis compõem um cenário que é a face boêmia de Porto Alegre. A referência explícita vem no maior clássico da banda, Amigo Punk: “atravessa a Oswaldo Aranha e entra no parque Farroupilha”. Em outros casos, vem implícita, como em Dênis, musicando trocadilhos bastante populares entre os jovens de Porto Alegre.

 

Lançado pelo selo brasiliense Senhor F, Ao Vivo foi gravado seis anos após a banda anunciar oficialmente a sua despedida. Nesse meio tempo, o mentor Frank Jorge lançou um ótimo disco solo (Carteira Nacional de Apaixonado), que apesar de ecoar GX na regravação de “Nunca Diga” explorou outros ritmos como a música cubana. Muito além do que a neo-jovem guarda que a banda fundou no final dos anos 1980 e soube tocar como ninguém, dando origem a Bidê ou Balde, Videohits e tantos outros que ironicamente alcançaram maior notoriedade em nível nacional, relegando os originais ao status de cult. Se você ainda não conhece Porto Alegre, nunca é tarde para ouvir a Graforréia.

 

 

Perdoem-me pela desatualização do blog, mas eu estava sem pc em casa. Isso não vai mais acontecer



Escrito por Danton Boattini Jr às 17h15
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   O lado rock and roll do glam

 

 

Houve uma época em que Nova York produzia bandas com qualidade. Ok, substitua “qualidade” por “criatividade”. Acrescente batom, salto alto e riffs matadores e você terá a banda mais rock and roll da era glam, o New York Dolls. A trupe de marmanjos que aparecia vestida de mulher na capa do LP pretendia impressionar, mas muito melhor que o figurino era o som do primeiro álbum da banda. Lançado em 1973, New York Dolls soou como um precursor do punk numa época em que grandes bandas de rock eram provenientes de conservatórios musicais.

 

Dilacerado pelas drogas, o New York Dolls perdeu vários de seus integrantes por overdose, incluindo o lendário Johnny Thunders. Isso não impediu que em 2006 as moçoilas voltassem a gravar. O álbum One Day It Will Please Us To Remember Even This, lançado no ano passado, deve apresentar o grupo aos fãs de Green Day e Simple Plan, mas o filé mignon está mesmo no debut dos nova-iorquinos. A fórmula foi insuperável até mesmo para os próprios Dolls, que em 1974 lançariam o irregular Too Much Too Soon. Ainda era o NYD, mas o brilho da estréia jamais seria repetido novamente.

 

 

Pular em cima da cama tocando air guitar ao som de uma música como “Personality Crisis” é o ideal de felicidade de qualquer garoto com menos de 15 anos. Experimente e você irá se sentir como os personagens do filme Quando Mais Idiota Melhor ao ouvir “Bohemian Rapsody”, do Queen. A faixa que abre o disco de estréia dos Dolls é uma verdadeira festa de 3 minutos e 40 segundos! Seguem a arrasadora “Looking For a Kiss” e a provocativa “Vietnamese Baby”. E, completo como todo clássico do rock, NYD tem uma balada para tocar ao violão, “Lonely Planet Boy”. “Trash” é punk muito antes que qualquer moicano aprendesse o terceiro acorde. E “Jet Boy”, um hino alternativo da capital do mundo.

 

New York Dolls alcançou a 213ª posição na lista de 500 melhores discos da história da revista Rolling Stone (a americana), divulgada em 2003. Após o rompimento, em 1977, a banda viria a se reunir em 2004 (empurrada pelo fã Morrisey), com apenas três de seus integrantes originais. Um deles, o baixista Arthur Kane, morreu no ano da reunião, vítima de leucemia, restando o vocalista David Johansen e o guitarrista Sylvain Sylvain.

 

Mas a alma do New York Dolls sempre foi Johnny Thunders, a quem o punk rock deve muito. A paternidade do movimento costuma ser dada sem questionamentos a Iggy Pop e os Stooges, mas era o guitarrista do NYD que fazia a cabeça de dois moleques ingleses chamados Stephen Jones e John Lydon, que buscariam copiar o som de Thunders para a banda que estavam formando. O resto da história você já sabe.



Escrito por Danton Boattini Jr às 17h06
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   Pérola noventista

 

 

Os anos 90 foram prósperos para a música de qualidade – pelo menos para quem não se submeteu às arbitrariedades dos que comandam o mainstream (o “sistema”, para os leigos) –, embora muita gente discorde. Nem é preciso pensar muito para citar um punhado de bandas e artistas legais que surgiram na década passada: Pavement, Flaming Lips, Weezer, Beck Hansen, Blur, Teenage Fanclub, Wilco, Built to Spill e por aí vai. Isso sem citar os manjados Nirvana, Radiohead e Smashing Pumpkins. Foi em meio a essa salada de fruta sonora, que misturava o revival dos anos 60 com o rock alternativo (indie), que surgiu em Oxford, Inglaterra, uma verdadeira fábrica de refrões, infelizmente não tão ouvida quanto merecia: o Ride.

 

Entre 1990 e 1994, período em que o Ride gravou seus três primeiros discos, todas as atenções estavam voltadas para Seattle (EUA), onde Nirvana e Pearl Jam comandavam a onda grunge. Em seguida, os holofotes se voltariam para a banda dos irmãos Gallagher, na Inglaterra, deixando o Ride com o eterno status de underground. Isso não impediu que o terceiro álbum da banda, Carnival of Light, produzido por John Leckie (Stone Roses, XTC) e Nigel Goldrich (Radiohead), alcançasse o 5º lugar na parada britânica no ano de seu lançamento, em 1994. O quarteto ainda lançaria um último disco, Tarantula, antes de se dissolver, em 1996.

 

A introdução oriental de “Moonlight Medicine”, a faixa de abertura, não engana. O Ride foi buscar inspiração no rock psicodélico dos anos 60 para gravar um dos melhores discos de rock da década passada. O próprio título do álbum remete aos Beatles. Carnival of Light é o nome de uma canção composta por Paul McCartney para o clássico Sgt. Pepper’s, mas que acabou não sendo incluída no disco e hoje não é encontrada sequer em bootlegs. Felizmente, o Ride segue a cartilha dos anos 60 à sua maneira, sem ser retrô ou enjoativo, mesclando elementos psicodélicos com o rock de então e um vocal suave que sempre foi a maior característica da banda.

 

 

É o caso da ensolarada “Crown of Creation”, talvez o mais grudento de todos os refrões noventistas. O vocalista Mark Gardener manda um contraponto aos Beatles com o verso “don’t you hide your love away”, parafraseando um dos maiores sucessos dos ídolos. Ingênua, bobinha, a canção é a síntese do que o Ride produziu de melhor. Assim como o hit “I Don’t Know Where It Comes From”, que fecha o álbum com chave de ouro: uma canção redonda com direito a coral de crianças no início. Simplesmente irresistível!

 

A inspiração segue com o órgão maroto que abre “From Time to Time”. Na melosa “Endless Road”, é o sax quem dá as caras. Há ainda um momento Jesus & Mary Chain, com a versão de “How Does It Feel to Feel”, do Creation. Tudo assoviável do início ao fim. O disco foi relançado em CD no exterior há seis anos, ganhando três faixas-bônus. Carnival of Light não está em catálogo no Brasil. Apesar da vida curta, o estilo shoegazer do Ride influenciou toda uma geração de bandas indie. No Brasil, quem melhor soube usar essa influência foram os paulistas do Astromato.

 

Andy Bell, ex-guitarrista do Ride, juntou-se ao Oasis em 1999. Em um bate-papo com fãs da sua ex-banda pela internet, ele explicou porque Carnival of Light não despertou tanta atenção na época do lançamento quanto Definitely Maybe, álbum de estréia dos irmãos Gallagher: “Eu acho que o Oasis fez um álbum melhor. Também, o som deles explodiu tudo, especialmente um álbum sutil como o nosso”. A modéstia, como sabemos, não é compartilhada com os líderes de sua atual banda.



Escrito por Danton Boattini Jr às 00h16
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   Lo-fi total: a casca da banana

 

Lance milionário de raridade do Velvet Underground é falso 

 

Você pode nunca ter ouvido falar de Warren Hill, mas vai reconhecer que ele é um cara de sorte. Pelo equivalente a 75 centavos, o sujeito comprou, em Manhattan, uma versão preliminar em acetato do que viria a ser o álbum mais cultuado da história do rock, Velvet Underground & Nico, de 1967 (o famoso “disco da banana”).

 

No ano passado, Hill, um colecionador de Montreal (Canadá), anunciou que teria recebido uma proposta de 155 mil dólares pelo disco. Logo depois, ele desmentiu a si próprio, dizendo que ainda esperava os lances de compradores. Acredita-se que exista apenas mais uma cópia da raridade no mundo. Gravado em abril de 1966, o disco mostra as versões originais de nove canções que viriam a compor o álbum, incluindo a clássica Heroin, maior tratado sobre drogas já registrado em canção.

 

Quem ficou curioso pode baixar o disco pelo blog http://luizyoung.blogspot.com



Escrito por Danton Boattini Jr às 12h48
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   Damas da noite

 

O blog e o livro de Bruna Surfistinha deram início à literatura das prostitutas, embora a prostituição da literatura já tenha sido iniciada há muitos anos. Na música, porém, o espaço ocupado pelas prostitutas precede a vulgarização da arte. Muito antes da Surfistinha ir à luta, Zé Ramalho e Tom Waits já cantavam as agruras de ganhar dinheiro fácil e da vida dura (sem trocadilhos) de quem vende o próprio corpo. Para outros, os cabarés eram apenas diversão, como para Bob Dylan no clássico álbum Highway 61 Revisited. Há ainda aqueles que foram pela primeira vez no bordel, apaixonaram-se, e tentaram a todo custo dar uma nova vida à moça.

 

Quê importa que seja apenas um simulacro do amor? O importante é que nossos ídolos se lembraram de registrar essas experiências (nem sempre bem sucedidas) em forma de canção.

 

Juts Like Tom Thumb’s Blues, Bob Dylan – E tudo começa com o mestre. Presente em Highway 61 Revisited, um dos melhores álbuns da história, essa música não é das mais conhecidas, embora seja a preferida de muitos fãs (incluindo o autor deste blog). Dylan apresenta suas garotas com mais precisão do que um catálogo de modelos. E dá uma grande dica para quem, casualmente, encontrar-se perdido na Páscoa de Juarez: “Não se faça de arrogante quando estiver na Rue Morgue Avenue, eles têm mulheres famintas lá e elas farão um estrago com você”.

 

Roxanne, The Police – Talvez a prostituta mais famosa da música pop. Esse é um dos maiores hits de Sting e companhia. “Eu te amei desde que conheci você (...), eu não dividirei você com outro garoto.” Pobre Sting...

 

Garoto de Aluguel, Zé Ramalho – Aqui, quem canta é quem vende o corpo. Ou melhor, empresta, como ela(e)s gostam de dizer (e por pouco tempo). Missão fácil para Zé Ramalho, que ao chegar do Norte com uma mão na frente e outra atrás, teve de se virar (e não é no bom sentido) como pôde na cidade grande.

 

I’m Your Late Night Evening Prostitute, Tom Waits – Mais um que tentou mostrar o outro lado da história. Nessa balada melancólica, o bardo é direto e sem meias palavras: “Tive que estar aqui às 8 e vou ficar até às 2, tentarei o meu melhor para entreter você”.

 

When the Sun Goes Down, Arctic Monkeys – Destaque de um disco surpreendente, essa foi a melhor canção do ano passado. O tema pode até estar manjado em pleno ano de 2006, quando programas são agendados pela internet e sites exibem “test drives” das garotas. Mas os ingleses que são a sensação do momento o fizeram de forma tão displicente que fica impossível não se apaixonar pela música.

 

Vou Tirar Você Desse Lugar, Odair José – Clássico absoluto. Conta a velha história do homem que se apaixona por uma garota de programa e tenta convencê-la a mudar de vida, embora saiba que o passado pode estar sempre por perto. Somente Odair José poderia abordar a questão com tanta sensibilidade. Foi regravada por Paulo Miklos e Los Hermanos.

 

Damas da Noite, Wander Wildner – O punk brega traça um perfil não muito glamouroso da noite porto-alegrense, tendo como base a avenida Oswaldo Aranha, reduto de prostitutas, travestis e mau elementos. “Eu vejo mulheres, na chuva da noite, entregando seus corpos pra qualquer um, a velhos e gordos mais podres que a noite.” Uma homenagem sincera às mulheres que admiramos.



Escrito por Danton Boattini Jr às 02h34
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   Muito além do que as pessoas dizem

 

O genial Wayne Coyne, líder do Flaming Lips, prometeu que arrancaria o seu braço se surgisse na Inglaterra mais uma banda querendo reviver o pós-punk. Motivos não faltam para esse manifesto solitário, já que o novo rock inglês reluta em sair da mesmice. Mas como para toda regra existe uma exceção, uma destas bandas conseguiu fazer um disco brilhante seguindo à sua maneira a cartilha de Franz Ferdinand e cia: punk, indecente e juvenil o suficiente para ser a cara da nossa década.

 

Mesmo que sejam enquadrados na preguiçosa cena atual do rock, os Arctic Monkeys estão anos-luz à frente de seus contemporâneos. Ainda assim, sofrem com as comparações, como se todos fossem farinha do mesmo saco. Um exemplo é o Franz Ferdinand, que também surgiu na gravadora Domino Records, onde o AM lançou seu primeiro single, I Bet You Look Good on the Dancefloor. O som de Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, disco de estréia da banda, remete muito mais aos Strokes do que aos escoceses, principalmente pelo vocal rasgado de Alex Turner (o que pode ser positivo ou negativo, dependendo do leitor).

 

 

Os Arctics foram buscar inspiração na prostituição para criar uma das mais belas canções de 2006, When the sun goes down. O tema não chega a ser novidade na música pop (a Roxanne, do The Police, chega a ser citada). Mas a juventude de Turner fez desta uma canção eterna. A sônica I Bet You Look Good on the Dancefloor, com letra bonitinha e referências a George Orwell e Romeu e Julieta, é outra atração do disco. Perhaps Vampires Is a Bit Strong But... confirma a vocação da banda para o rock and roll – e para músicas com títulos enormes. Acrescentando mais um punhado de hits, temos o que a NME classificou como o melhor disco do ano passado. Enfim, a mais perfeita ponte entre o punk dos anos 1970 com a modernidade.

 

O Arctic Monkeys é uma banda tão legal que chega a esnobar o sucesso. Convidados para o Brit Awards, premiação musical inglesa, eles não pretendem comparecer ao evento (pela segunda vez). De acordo com os músicos, o grupo anda ocupado demais com a gravação do clipe de Brainstorm, single que será lançado em abril. Para o baterista Matt Helders, não se trata de pose ou desinteresse. “Não somos escrotos, somos rapazes ocupados prontos para fazer uma turnê”, declarou.



Escrito por Danton Boattini Jr às 02h23
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